“Caminhando em seus sapatos…”

Entre os dias 5 e 23 de junho, escolas estaduais de São Paulo irão receber a instalação imersiva “Caminhando em seus sapatos…”. Idealizada pelo Empathy Museum e realizada pelo Intermuseus, a exposição itinerante circulará pelas escolas com o propósito de exercitar a empatia e ampliar a visão de mundo a partir das vivências (e sentimentos) de outras pessoas.

A instalação imersiva leva 20 histórias de diferentes pessoas e com temáticas diversas para serem ouvidas em fones de ouvido por alunos e funcionários das escolas, enquanto caminham calçando os sapatos do depoente. O projeto conta com o patrocínio das empresas Novartis, Sodexo On-site e Uber, por meio da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), Ministério da Cultura, Governo Federal.

A exposição imersiva foi idealizada pela artista plástica inglesa Clare Patey,em colaboração com o filósofo e escritor Roman Krznaric,autor do livro“O poder da empatia: a arte de se colocar no lugar do outro para transformar o mundo” (ed. Zahar),que buscaram estimular a compreensão da importância da escuta, o reconhecimento e respeito coletivos e a percepção de que as pessoas são parte do mesmo universo, diverso e inclusivo.

O título original da exposição, “A Mile in My Shoes”, remete a um provérbio indígena norte-americano que diz “não se pode julgar uma pessoa se você não caminhou uma milha em seus sapatos”. Inspirado neste provérbio, a artista inglesa Clare Patey idealizou uma instalação no Empathy Museum, na qual o visitante caminharia nos sapatos de uma outra pessoa, enquanto ouve sua respectiva história, contada em 10 minutos.

Em parceria com o Empathy Museum, o Intermuseus captou as histórias de diversas pessoas, com relatos sobre preconceitos, paternidade, maternidade, violência social, gênero e sexualidade, com testemunhos que se cruzam ao falar de perda e superação, luto e amor, exclusão, esperança e inspiração.

Violência nas escolas

No caso das escolas, a ação acontece num momento em que a violência se intensificou e diversos episódios de ataques a alunos e professores, inclusive com a morte de alguns, ocorreram em vários locais do país. “A empatia é fundamental para que as escolas consigam começar a enfrentar esta situação atual de medo, violência e insegurança”, afirma Andréa Bueno Buoro, diretora executiva do Intermuseus, associação sem fins lucrativos que promove a atividade. “O projeto tornou-se ainda mais relevante, pois ele promove um espaço de conversa e diálogo entre alunos e professores, que é uma condição básica para que a escola possa se fortalecer e enfrentar este quadro de violência e medo no seu próprio interior. Tivemos vários pedidos de escolas para montarmos o projeto para seus alunos.

“Caminhando em seus sapatos…”

Os alunos são recebidos por educadores que explicam os detalhes da atividade e estão presentes durante toda a vivência. Uma perua Kombi, que estará estacionada no pátio dessas escolas, leva 20 caixas de sapatos, correspondente às 20 histórias que poderão ser escolhidas.

Ao escolher uma delas e abri-las, os participantes calçam os sapatos e com fones de ouvido, partem em uma caminhada imersiva por dentro da história das pessoas a quem esses sapatos pertenciam. O ato de calçar um outro sapato, maior que seu número, menor, mais alto, mais baixo, já causa um desconforto e provoca uma escuta atenta às histórias que são profundamente impactantes. A instalação propõe a ressignificação de valores pessoais por meio de relatos e dilemas reais – que incluem perdas, superação, luto, amor, preconceitos, exclusões, desigualdade social -, que, muitas vezes, passam despercebidos no cotidiano.

São vivências tocantes e sensíveis, como a história do Rafael, jovem morador da periferia, que conseguiu chegar ao ensino superior na USP e hoje transforma vidas por meio da ONG de música e artes que criou para crianças e jovens em sua comunidade. Ou ainda, Alphonse, um refugiado político congolês que vive há cinco anos no Brasil, ou Adriana, uma jovem que conta sua luta pessoal contra a gordofobia.

Após a atividade, os alunos podem escrever sobre sua experiência em um cartão, contando os desafios de andar com aqueles sapatos e para que possam registrar suas vivências. Em alguns casos, acontece uma roda de conversa, para que os alunos possam trocar impressões e ideias com os colegas, já que muitos ficam bastante sensibilizados com as histórias que escutaram – e têm a necessidade de compartilhar o que ouviram.

Segundo Andrea Bueno Buoro, “ter empatia é reconhecer que os outros podem ter gostos, experiências e visões de mundo diferentes dos nossos. É compreender as razões por trás do comportamento de uma pessoa. É uma questão de ver o mundo da perspectiva de outros. E, principalmente, compartilhar, sentir ou “espelhar” as emoções de outra pessoa”, diz. “A partir daí reconhecer que, em toda nossa diversidade, compartilhamos nossa humanidade”.

Material educativo

Um material educativo foi desenvolvido especialmente para esta ação nas escolas. Será disponibilizada aos professores, após a atividade, uma cartilha pedagógica, na qual poderão dar continuidade ao tema, com jogos educativos, rodas de conversa e trocas de experiência entre os alunos ao longo do ano letivo, garantindo um convívio mais seguro, empático e sem violência.

Sobre o Intermuseus

O Intermuseus é uma associação civil, sem fins lucrativos, que idealiza, desenvolve, estimula e fortalece ações no campo museológico, cultural e social que visam impacto positivo e transformação social. Defendendo a atuação das organizações culturais como estratégica no enfrentamento dos desafios da sociedade contemporânea na construção de uma cultura democrática com o desenvolvimento social, ético e sustentável, seus projetos buscam o reconhecimento da diversidade e o diálogo por meio da participação e criação coletiva.

Sobre o Museu da Empatia / Empathy Museum

O Empathy Museum é um projeto internacional, sediado em Londres, de diversas inciativas participativas e ações artísticas pautadas em experiências que provocam situações para o visitante experimentar uma vivência de empatia. Lançado em 2015 como uma série de instalações expositivas circulantes, o museu foi idealizado pela artista e curadora Clare Patey, em colaboração com o filósofo e escritor Roman Krznaric.

“Caminhando em seus sapatos…”

No Brasil, os 20 depoimentos que fazem parte da exposição, foram produzidos pelo Intermuseus, com curadoria realizada em conjunto com o Fundo Brasil de Direitos Humanos, o Instituto Alana e o Núcleo de Antropologia Urbana da USP e o programa Criamundi.

Em 2017, a instalação foi montada no Brasil pela primeira vez, no Parque Ibirapuera, levando mais de 9 mil pessoas a vivenciarem as histórias.  Em 2022, a instalação foi montada no jardim da Casas das Rosas, tendo recebido um público de 5 mil pessoas durante o período de exposição.

Serviço: “Caminhando em seus sapatos”

Quando: de 05 a 23 de junho de 2023

Locais: Escolas Emygdio de Barros, Sólon Borges dos Reis, Etec de Cotia e Thomazia Montoro

Informações para a imprensa:

Buriti Comunicação

Paula Corrêa | paula@buriticomunicacao.com | 11 98339-4867

João Vitor Boni | joaovitor@buriticomunicacao.com | 17 99167-6132

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